Sexta, 17 de Novembro de 2017

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Dissertação recebe menção honrosa do Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade


Uma dissertação de mestrado produzida no Laboratório de Painéis e Energia da Madeira do Departamento de Engenharia Florestal da UFV (DEF) recebeu menção honrosa do Prêmio Vale Capes de Ciência e Sustentabilidade 2013. No trabalho premiado, o pesquisador Alyson Costa Oliveira desenvolveu um forno que produz carvão vegetal com baixa emissão de gases poluentes para o meio ambiente. A tecnologia é acessível a pequenos produtores rurais e integra questões sociais, energéticas e ambientais.

O resultado da dissertação foi tão bem aceito por empresas e agências financiadoras de pesquisa que as informações foram transformadas em cartilha e um vídeo didático que ensina aos pequenos produtores as boas práticas da produção de carvão vegetal. A construção do sistema conhecido como forno/fornalha para produção de carvão vegetal tem custo relativamente baixo. Com cerca de R$ 950,00 um pequeno produtor pode construir um sistema constituído por um forno e uma fornalha utilizando apenas tijolos, argamassa, manta cerâmica e mão-de-obra própria.

A tecnologia social tem grande impacto econômico. O Brasil produz atualmente mais de 20 milhões de metros de carvão (MDC) por ano, destinado quase que exclusivamente ao setor siderúrgico, para redução do minério de ferro e produção de ferro-gusa, aço e ferro-liga. Um porcentual menor é utilizado na indústria de cimento e cerâmica ou no uso comercial em churrascarias e padarias. O estado de Minas Gerais tem o maior parque siderúrgico movido a carvão vegetal do mundo e é o maior produtor e consumidor desse insumo energético.
Pequenos e médios produtores de carvão respondem por mais de 60% do abastecimento da siderurgia nacional. Mas cada pequeno produtor, quase sempre ligado à agricultura familiar, produz em torno de duas toneladas/mês, enquanto um grande pode produzir mais de quatro mil toneladas/mês. Em busca da sustentabilidade, o governo e a sociedade vêm exigindo cada vez mais que, assim como as empresas, os produtores também produzam carvão sem emitir fumaça que contém gases tóxicos.

A orientadora da dissertação, Angélica Cássia de Oliveira Carneiro, explica que, após a queima do carvão, o sistema forno/fornalha desenvolvido na UFV emite apenas água, energia térmica e CO2.  Não sobra nada dos gases tóxicos. “A emissão de CO2, considerado um gás gerador do efeito estufa, não chega a ser um problema. No setor florestal, o balanço acaba sendo neutro porque as árvores capturam CO2 para fazer fotossíntese, então, a tecnologia é considerada ambientalmente sustentável”, diz a professora.

Na mesma linha de trabalho,  outras pesquisas de co-geração nas unidades de produção de carvão vegetal estão sendo realizadas no Laboratório de Painéis e Energia da Madeira do DEF. Nestes sistemas, faz-se o aproveitamento dos gases queimados na fornalha para secagem da madeira que será posteriormente carbonizada para produção do carvão. Isso porque, depois do corte das árvores, a madeira pode levar até seis meses para secar no campo até atingir uma umidade de aproximadamente 35%. A professora Cássia explica que este processo é importante porque quanto mais seca a madeira maior será o rendimento gravimétrico em carvão vegetal. “Utilizar a energia liberada na pirólise da madeira para secar outra é uma economia ambiental ainda maior para o meio ambiente e para o bolso do produtor”, comenta a professora. O novo sistema está em fase de proteção de patente e ainda não pode ser disponibilizado publicamente.

A professora diz ainda que essas tecnologias estão evoluindo muito rapidamente, impulsionadas pelo governo e pelas empresas, mas ressalta que ainda existem algumas barreiras técnicas e econômicas, principalmente quanto à queima dos gases. “As pesquisas agora estão concentradas nos materiais construtivos, no sincronismo dos fornos e na secagem da madeira para obter a melhor relação custo/beneficio para viabilizar a implantação das tecnologias”, explica Cássia, acrescentando, ainda, que muitas dessas tecnologias estão sendo gestadas na UFV.

A premiação do pesquisador Alyson Oliveira aconteceu em junho, no Rio de Janeiro. A dissertação foi defendida em 2012 e teve a co-orientação dos professores Benedito Rocha Vital e Ana Márcia Macedo Ladeira Carvalho.
O vídeo e a cartilha que ensinam ao produtor as boas práticas da produção de carvão vegetal forami financiados pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior/Fapemig, Asiflor, Embrapa Floresta, Polo de Excelência em Floresta e G6, interessadas em popularizar a tecnologia para fomentar a produção sustentável de carvão em Minas Gerais.
 

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