Sexta, 22 de Setembro de 2017

Aconteceu

Aliança de chefes de Estado reivindica precificação do carbono

emissoes-co2-ecod.jpgPoluição industrial em Shangai, na China
Foto: Konstantinos Kazantzoglou/Flickr/CC

Uma aliança sem precedentes de chefes de Estado, lideranças municipais e estaduais, com o apoio de líderes de grandes empresas, uniu forças recentemente para exortar os países e as empresas de todo o mundo a colocar um preço sobre carbono.

O pedido por um preço para o carbono vem do Painel de Precificação do Carbono - um grupo convocado pelo presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, e a diretora do FMI, Christine Lagarde - para estimular uma ação mais rápida antes das negociações sobre o clima de Paris. Angel Gurria secretário-geral da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), também faz parte deste esforço, que foi anunciado nesta semana nas negociações climáticas de Bonn (Alemanha).

O painel inclui a chanceler alemã, Angela Merkel, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, o presidente francês François Hollande, o primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn, o presidente das Filipinas, Benigno Aquino III, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto, o governador da Califórnia, Jerry Brown, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Cerca de 40 países e 23 cidades, estados e regiões implementaram ou estão colocando um preço sobre o carbono com programas e mecanismos que cobrem cerca de 12% das emissões globais de gases de efeito estufa

Esses líderes globais estão pedindo a seus pares para se unirem a eles na precificação do carbono de modo a orientar a economia global para um futuro competitivo, produtivo e com baixos níveis de carbono e sem os perigosos patamares de poluição que fomentam o aquecimento.

Eles buscam passar ao setor privado segurança e previsibilidade para que haja investimentos em longo prazo no desenvolvimento amigável ao clima.

Plataforma de ação
O apoio do setor privado vem do investidor institucional norte-americano CalPERS, da Engie da França, do Mahindra Group of India, e Royal DSM, sediada na Holanda, os quais ajudarão a conectar as necessidades de negócios com as políticas públicas por meio da Coalizão de Lideranças pela Precificação do Carbono -, uma plataforma baseada em ação que será oficialmente lançada em Paris em 30 de novembro de 2015.

"Nunca houve um movimento global para colocar um preço sobre o carbono deste nível e com este grau de concordância. Ele marca um ponto de inflexão do debate sobre os sistemas econômicos necessários para um crescimento com baixo carbono em direção à implementação de políticas e mecanismos de preços para gerar empregos, crescimento e prosperidade limpos", destacou o presidente do Grupo do Banco Mundial Jim Yong Kim. "A ciência é clara, a economia convincente e agora vemos emergir a liderança política para escalar o investimento verde em uma velocidade compatível com o desafio das mudanças climáticas."

Reformas fiscais
"Os ministros das Finanças precisam pensar em reformas dos sistemas fiscais para gerar mais receita em impostos sobre os combustíveis intensivos em carbono e menos receitas de outros impostos que são prejudiciais para o desempenho econômico, tais como impostos sobre o trabalho e capital. Eles precisam avaliar quais taxas de imposto de carbono irão ajudá-los a cumprir suas metas de mitigação para Paris e as medidas de acompanhamento para ajudar famílias de baixa renda que são vulneráveis a preços mais elevados da energia", ressaltou Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional.

Em todo o mundo, cerca de 40 países e 23 cidades, estados e regiões implementaram ou estão colocando um preço sobre o carbono com programas e mecanismos que cobrem cerca de 12% das emissões globais de gases de efeito estufa. O número de instrumentos de precificação do carbono implementadas ou programadas quase dobrou desde 2012, chegando a um valor total de mercado de cerca de US$ 50 bilhões.

Algumas opiniões dos chefes de Estado:

Tecnologias de baixo carbono são um elemento na luta contra as alterações climáticas em nível mundial. Com um preço para o carbono e um mercado global de carbono, promovemos o investimento em tecnologias favoráveis ao clima. Muitos governos já estão colocando um preço sobre o carbono como parte de suas estratégias de proteção do clima. Devemos avançar o nosso esforço ao longo deste caminho ainda mais para que possamos realmente atingir o nosso objetivo de manter o limite máximo de dois graus, disse a chanceler alemã, Angela Merkel.

No Chile, acreditamos no princípio do poluidor pagador. Nós estabelecemos impostos ambientais em nosso setor de transportes e de energia. Ambos os impostos serão fundamentais para a energia mais limpa e carros mais eficientes, o que tornará nosso ar mais limpo e nosso clima, mais seguro. E a receita vai para financiar nossa reforma educacional, disse a presidente chilena Michelle Bachelet.

O Rio de Janeiro, como a maioria do Brasil, já está experimentando os impactos das mudanças climáticas - e já estamos tomando medidas, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Estamos investindo pesadamente em infra-estrutura resistente às alterações climáticas, e também estamos comprometidos com o corte das emissões de carbono em toda a nossa economia. Colocar um preço sobre o carbono servirá para acelerar os nossos esforços para construir a prosperidade urbana de baixo carbono -. Não apenas no Rio, mas em cidades de rápido crescimento em todo o mundo.

(Tradução de Silvia Dias)

http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2015/outubro/alianca-de-chefes-de-estado-reivindica?tag=economia-e-politica


© 2011-2013 Prolenha

 

Desenvolvido por ASTRO DESIGN

Recomende-nos

FacebookMySpaceTwitterDiggDeliciousStumbleuponGoogle BookmarksRedditNewsvineTechnoratiLinkedinMixxRSS Feed

Visitas no site

Hoje20
Ontem20
Na semana163
No mês603
Total23779

VCNT - Visitorcounter