Segunda, 20 de Novembro de 2017

Aconteceu

Tragédia em Mariana extinguiu 324 hectares de Mata Atlântica

A área analisada abrange os municípios de Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova.

 

 

Área total afetada foi de 1.775 hectares. | Foto: Sosma/Divulgação


O impacto sobre as áreas naturais da Mata Atlântica decorrente do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco na região de Mariana (MG) foi analisado por uma ONG ambiental há cerca de um mês. A avaliação constatou que a lama de rejeitos impactou uma área total de 1.775 hectares (ha) ou 17 quilômetros quadrados.

O estudo foi realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a empresa de geotecnologia Arcplan. Segundo dados destas instituições, a lama removeu um total de 324 ha de áreas de Mata Atlântica, sendo 236 ha de florestas nativas e outros 88 ha de vegetação natural.

A área analisada abrange os municípios de Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova, todos integralmente inseridos nos limites da Mata Atlântica, de acordo com o mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica (11.428/ 2006). 

Rios impactados
Foram avaliados na análise de impacto sobre a vegetação nativa 114 km de cursos d’água (12 km do Rio Doce, 28 km do Rio Carmo, 69 km do Rio Gualaxo do Norte, 3 km do córrego Santarém e 2 km do afluente do córrego Santarém), a partir da barragem de Bento Rodrigues, onde ocorreu o rompimento, até a represa da Usina Candonga (UHE Risoleta Neves), no município de Rio Doce.

Segundo Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE, a represa da Usina Candonga absorveu o impacto da onda de lama que afetou a área do entorno dos rios. “Após a represa, o impacto foi no leito do rio, na qualidade da água e no deslocamento de sedimentos, não havendo remoção de vegetação nas margens dos rios, ou ao menos na escala do estudo, que considera áreas com no mínimo 1 ha”.

“Minas Gerais já é um Estado bastante castigado em relação a supressão de vegetação nativa e foi campeão do ranking do desmatamento da Mata Atlântica por cinco anos consecutivos. A tragédia de Mariana se soma a essa realidade e reflete as trágicas consequências do desmonte gradativo da legislação ambiental brasileira e da sua não aplicação, afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica.

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